- Da janela do meu velho e sujo apartamento relembro o tempo da minha juventude na dança da linda jovem na academia de dança da esquina, naquele trage antigo todo enfeitado, deslisando sobre o chão no ritmo daquela musica que, ainda me lembro, foi lançada ontem !
ahh, parece que foi ontem mesmo, eu feliz apreciava aquele som chiado e distante em minha radiola linda e brilhante que papai trocou , pela pobre amélia, que a muito tempo não estava tão sadía, na feira de domingo. Pobre amélia.
Oh, diabos.. Preciso de mais soro, estes ossos já não são tão fortes quanto eram antigamente, eu agora ?
Pufff.. uma velha invalida que não tem se quer planos para o amanhã, estou nessa cadeira móvel que me sustenta durante esses longos e sofridos 18 anos, cercada de medicamentos, e uma enfermeira que só pensa em tranzar... ainda vivendo, ainda aprendendo...
- Aprendendo ? (voz de sua mente)
- Sim, aprendendo alguns passos de dança, sem dançar, é claro.
Olhe, não é admiravel ? não é lindo ?
E olhe, que jamais pensei que iria da vida aprender qualquer coisa mais que seja, nessa idade... Estou um caco, minhas mãos são calejadas e tudo é tão áspero, tão bruto.
Eu agora entendo, aqueles passos de dança são um insentivo..
- Mas Como assim, insentivo ? (voz de sua mente)
- é para eu poder morrer tranquila, em paz. afinal, aquela moça sem querer, me ensinou o que eu queria saber a um bom tempo.
Ela me ensinou a morrer.
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