quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

MM #8


 Ontem chutei o “pé da cama” quando estava vindo pro quarto, não existe sentimento tão desprezível quanto esse. Eu gritei tantos palavrões, mas tantos palavrões, que eu acho que até cheguei a inventar alguns, só pra descarregar o ódio de aquela cama estar ali, atrapalhando. Tá, ela não estava atrapalhando, e estava no seu devido lugar, eu é que estava com um pouquinho de pressa. Até então consegui parar de xingar, mas naquele mesmo momento caí na gargalhada incontrolavelmente. Foi uma situação, que, sem duvidas terá de ser relembrada, viu ? por isso sempre é bom anotar as coisas, como faço ultimamente. Alguém ao menos irá ler tudo isto, e imaginar a cena. Espero que seja pelo menos meus netos, bisnetos, e tataranetos. “Menos papai”. Aliás, um abraço á todos.
 Consegui quebrar meu dedo, mas não tem problema. Para compensar, também consegui o perdão da Bella, depois de um longo tempo sem vê-la, não me aguentava mais de ansiedade de lascar um beijo naquela pele linda que tens, ela realmente ficou chateada por aquela situação que já havia anotado por estas folhas. Vou até deixar explicado mais detalhadamente como foi...
 Em uma noite nublada de quinta-feira, estávamos balançando na rede da casa dela na varanda, era uma noite fresca apesar de não conseguir ver ao menos as estrelas, eu ainda lembro. Estava perfeito com ela ao lado, Calor humano. Ela tinha me dito que faria a tal peça de teatro no fim de semana, estava ensaiando incansavelmente á meses. A peça era sobre uma menina órfão, que foi parar em um convento por seus pais não a quererem, enfim. Ela me disse algo assim, meio que por cima. Naquele dia, eu estava com a cabeça nas nuvens, sabe... desentendimento familiar. Até por que, sempre fui a ovelha negra da família. Tipo um rebelde... um rebelde humilde...
 Confesso que não prestei muita atenção na parte que ela disse que seria no fim de semana a tal peça, e este foi o momento que fez brotar a tristeza que teve por minha pessoa, depois do vacilo, é claro. Foi doloroso pra ela, tanto quanto foi pra mim não te-la todas as manhãs como de costume. Olha, quando  acostumamos com uma pessoa no nosso dia-a-dia, não é fácil desconsidera-la, querendo ou não. No final das contas expliquei a ela a minha situação, e o por quê de não ter lembrado de ir na peça. Ela entendeu e finalmente me perdoou, porém, eu sei que ela ainda está com um pé atrás comigo, por que, cá entre nós... Se não ás escutarmos, mais tarde elas vão jogar isso na nossa cara, e necessariamente vão nos fazer arrepender-se profundamente, afinal... Elas sempre conseguem.

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