Ontem chutei o “pé da cama” quando estava vindo pro quarto,
não existe sentimento tão desprezível quanto esse. Eu gritei tantos palavrões,
mas tantos palavrões, que eu acho que até cheguei a inventar alguns, só pra
descarregar o ódio de aquela cama estar ali, atrapalhando. Tá, ela não estava
atrapalhando, e estava no seu devido lugar, eu é que estava com um pouquinho de
pressa. Até então consegui parar de xingar, mas naquele mesmo momento caí na
gargalhada incontrolavelmente. Foi uma situação, que, sem duvidas terá de ser
relembrada, viu ? por isso sempre é bom anotar as coisas, como faço
ultimamente. Alguém ao menos irá ler tudo isto, e imaginar a cena. Espero que
seja pelo menos meus netos, bisnetos, e tataranetos. “Menos papai”. Aliás, um
abraço á todos.
Consegui quebrar meu dedo, mas não tem problema. Para
compensar, também consegui o perdão da Bella, depois de um longo tempo sem
vê-la, não me aguentava mais de ansiedade de lascar um beijo naquela pele linda
que tens, ela realmente ficou chateada por aquela situação que já havia anotado
por estas folhas. Vou até deixar explicado mais detalhadamente como foi...
Em uma noite nublada de quinta-feira, estávamos balançando
na rede da casa dela na varanda, era uma noite fresca apesar de não conseguir
ver ao menos as estrelas, eu ainda lembro. Estava perfeito com ela ao lado,
Calor humano. Ela tinha me dito que faria a tal peça de teatro no fim de
semana, estava ensaiando incansavelmente á meses. A peça era sobre uma menina
órfão, que foi parar em um convento por seus pais não a quererem, enfim. Ela me
disse algo assim, meio que por cima. Naquele dia, eu estava com a cabeça nas
nuvens, sabe... desentendimento familiar. Até por que, sempre fui a ovelha
negra da família. Tipo um rebelde... um rebelde humilde...
Confesso que não prestei muita atenção na parte que ela disse
que seria no fim de semana a tal peça, e este foi o momento que fez brotar a
tristeza que teve por minha pessoa, depois do vacilo, é claro. Foi doloroso pra
ela, tanto quanto foi pra mim não te-la todas as manhãs como de costume. Olha,
quando acostumamos com uma pessoa no
nosso dia-a-dia, não é fácil desconsidera-la, querendo ou não. No final das
contas expliquei a ela a minha situação, e o por quê de não ter lembrado de ir
na peça. Ela entendeu e finalmente me perdoou, porém, eu sei que ela ainda está
com um pé atrás comigo, por que, cá entre nós... Se não ás escutarmos, mais
tarde elas vão jogar isso na nossa cara, e necessariamente vão nos fazer arrepender-se
profundamente, afinal... Elas sempre conseguem.
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